No obra e história, seguidamente abordando o conceito

No meu trabalho desenvolvido na unidade curricular de Projecto, consegue ser encontrado certos paralelismos com o trabalho do pintor russo Ilya Yefimovich Repin. Apesar de me focar essencialmente no aspecto conceptual, acho importante referir sucintamente, que o aspecto técnico e estético também influenciam e provocam inspiração na execução das minhas pinturas. Sempre fui inspirado pelas técnicas e estilos do movimento do realismo do século XIX, bem como a sua filosofia de pintar realisticamente figura humana, ou seja pessoas reais em situações perfeitamente identificáveis, sem idealização nenhuma. Representar a realidade como ela verdadeiramente é. Mas voltando ao aspecto conceptual, o tema pelo qual o meu trabalho se desenvolve, é a “Political Correctness”. Portanto o meu trabalho possui uma vertente política forte. Tanto eu como Ilya Repin, somos motivados pelos nossos pontos de vista e ideais provocados pela experiência com o estado social e político do contexto no qual cada um se insere. Os nossos trabalhos possuem um propósito moral e esclarecedor.Portanto primeiramente, falarei sobre o artista em questão, a sua obra e história, seguidamente abordando o conceito por detrás do meu trabalho, e por fim demonstrando as pinturas que formam o dito projecto.Ilya Yefimovich Repin (Fig.1), pintor realista do século XIX, é considerado o pintor russo mais famoso e conhecido. Foi o artista responsável pelo reconhecimento e validação da arte russa na cultura europeia. Usava a pintura, como um meio para explorar os temas e denunciar os problemas da sua época. Durante o seu percurso artístico, representou grande parte dos aspectos presentes da vida russa, conseguindo desta forma, adquirir o estatuto de um artista conhecido pela cultura europeiaA sua arte foi impulsionada pela sua procura persistente da verdade, baseando se nos aspectos do quotidiano, da cultura nacional, sociais, e políticos que presenciou durante a sua vida. As suas pinturas são baseadas em conflitos dramáticos, absorvidos da sua experiência com a sua sociedade e vida contemporânea. Isto tornou-o o líder de um movimento de realismo crítico na arte.Para compreender a arte de Ilya Repin, é imperativo ter uma noção do contexto histórico, social e político em que o artista se inseria.Repin nasceu a 5 de Agosto de 1844 em Chuguyev, no governo de Kharkov, uma divisão administrativa do império russo, localizado na actual Ucrânia. Repin pertencia a uma família de colonos militares. As forças militares russas continham organizações, que permitiam a junção de serviços militares e agricultura. Seu pai Yefim Vasilyevich Repin, era um soldado do regime Uhlan, do exército do Império Russo e Ilya viria a estudar numa escola militar. Viveu uma infância num ambiente militarizado, educado sobre as suas normas em colónias instituídas por um governo autoritário. Isto influenciaria, a partir de uma idade jovem a sua inocência e visão do mundo, permitindo uma reflexão mais aprofundada e perspectivas mais maduras e reais sobre a política e a sociedade. Portanto, pode se considerar que estes aspectos seriam relevantes na motivação artística e crescimento pessoal do artista.Durante o seu percurso na escola militar, o curso que estudava viria a ser cancelado, mas, em 1856, o seu pai conseguiu com que Ilya se tornasse num aprendiz de um pintor muito conhecido dentro do país na época, Ivan Bunakov. Aqui Repin começa a aprender a pintar como os velhos mestres antes dele aprendiam, podendo simultaneamente pintar por comissão para a sociedade para o encorajamento de artistas, recebendo reconhecimento pelo seu talento natural. Posteriormente em 1864, iniciaria os seus estudos na Academia Imperial das Artes, em São Petersburgo.Uma das obra mais conhecidas, “Os rebocadores do Volga” (Fig. 2), foi a pintura que o tornou no artista principal do movimento de realismo crítico na Rússia. A obra retrata onze homens a arrastar um barco fora do rio Volga, usando nada mais e nada menos que a força dos seus corpos. Os homens encontram-se já num estado exausto, praticamente derrotados, enfrentando condições e circunstâncias difíceis. No meio desse grupo, destaca-se uma figura mais nova (Fig. 3), pintado com tons mais saturados e iluminados, numa pose heróica, prestes a libertar-se. Esta pintura procura criticar e reflectir sobre o trabalho desumano e a sua exploração. O jovem serve de simbolismo da ânsia para a libertação das classes oprimidas. Para este quadro, Ilya viajou pela Rússia, onde desenhou rebocadores reais que viviam o que o quadro representaria. Isto permitiu retratar realisticamente e dramaticamente as verdadeiras dificuldades e emoções que estes trabalhadores da classe mais baixa sofriam.Sendo natural de Chuguyev, onde viveu até aos 19 anos, o artista sempre procurou manter a ligação com a sua terra natal, viajando pela Ucrânia, pesquisando para os seus projectos pessoais, desenhando essencialmente elementos da arquitectura e do povo ucranianos.Como resultado dessas viagens, Ilya pintaria umas das suas pinturas mais conhecidas, “Procissão religiosa na província de Kursk” (Fig.4).A presente obra é um excelente exemplo do que se trata a arte de Ilya Repin. É uma imagem dinâmica de escala grande, mostrando uma classe social baixa e reprimida, ou seja o povo, a participarem na procissão anual, a transportar a estátua da nossa senhora de Kursk, situada na cidade do mesmo nome. Representa uma sociedade dividida pelos seus estatutos sociais. Pela composição fora consegue-se observar várias representações individuais desse dramatismo e problematização social. Desde figuras de autoridade cheias de defeitos, como o guarda a agredir fisicamente alguém na multidão (Fig.5), uma demonstração da violência e autoritarismo do governo. O padre vaidoso a arranjar o seu cabelo (Fig.6), pode ser associado á ganância e vaidade dos membros da Igreja. E até mesmo dentro da classe social mais baixa encontra-se negatividade, como o pai cruel a bater no seu filho aleijado (Fig.7).Repin passou algum tempo em França, durante o período dos impressionistas, que influenciaram o seu trabalho no que diz respeito á representação de luz e cor. Mas existem aspectos em que Repin se contrariou desse movimento. Sentia que lhes faltava um propósito social ou moral. E os seus trabalhos consistiam de estudos rigorosos, detalhados e pensados cuidadosamente. Ilya produzia um vasto número de esboços preparatórios para as suas pinturas. Pintava várias versões de pinturas, por nunca se encontrar completamente satisfeito com os seus resultados. Mudava os seus métodos e técnicas dependendo do que as suas composições exigissem.As suas ideologias políticas não ficavam somente pela pintura, aliás Repin começaria a ter um papel mais activo. Durante 1905, Repin fez parte de várias manifestações contra as mortes e a repressão causadas pelo governo do Czar. Serviu para explorar as suas impressões destas manifestações a partir das suas obras, nomeadamente os acontecimentos passados no dia 9 de Dezembro de 1905, em que as tropas abriram fogo perante uma manifestação pacífica. Entretanto, surgiu a revolução russa de 1917, que pôs fim ao regime do Czar, e por consequência tirou a Rússia da primeira guerra mundial. Repin continuaria a pintar até á sua morte em 1930.Ilya Repin fora um pintor dirigido pelos os seus motivos políticos. A pintura era a sua forma de lutar contra a opressão que ele como os seus contemporâneos e iguais, sofriam sob um regime autoritário. Demonstrava a realidade pura e crua que presenciava com os seus olhos, registava de uma forma dramática e bela os problemas e injustiças existentes na sua época. A sua arte tinha um propósito para além da sua demonstração e perícia técnica.Trabalho Pessoal:”Political correctness” é um sistema de regras de conduta, que limita a linguagem de forma a eliminar palavras, expressões ou frases que poderiam ser consideradas ofensivas, para determinados grupos sociais identificáveis por características externas, como raça, sexo, cultura ou orientação sexual. O termo surgiu com o propósito de auxiliar a sociedade no que diz respeito á compreensão perante as diferenças de cada um dos seus integrantes, combatendo desta forma problemáticas sociais como racismo, descriminação e a violência entre diferentes grupos sociais e étnicos. O problema centra-se no extremismo. Transitou para um sistema autoritário, censurando a liberdade de expressão, criando um efeito contrário ao do que era pretendido originalmente.Inicialmente, o termo não tinha a conotação moderna referida acima.Interessantemente, segundo a Encyclopædia Britannica, este termo surgiu no vocabulário Marxista-Lenista, posteriormente á revolução russa de 1917, que pôs fim á participação da Rússia na primeira guerra mundial, e seguidamente em 1922, formando a União Soviética. Para o partido comunista, a frase “politicamente correcto”, referia se a posições “correctas” perante os assuntos políticos. Ou seja, referia a defender as posições políticas do partido comunista soviético. Herbert Kohl, um educador americano escreveu para o jornal The Lion and the Unicorn o seguinte:Esta ideia foi também visível na Alemanha Nazi, na década de 30, em que o governo alemão restringia os direitos políticos e civis de qualquer pessoa que não fosse de raça ariana, considerando as suas opiniões politicamente incorrectas.Portanto esta primeira conotação servia para denominar a posição que um individuo possuía perante os princípios dos partidos políticos responsáveis pela governação do seu país.Mais tarde, na década de 70, surgiu o que é denominada como a “nova esquerda”, um movimento influenciado pelos ideais da União Soviética, contudo, opondo se de certas questões provenientes do regime original. Membros da nova esquerda usavam o termo “politicamente correcto” de uma maneira irónica, como uma forma de auto-crítica. Activista político e sociólogo, Stuart Hall, desenvolve e exemplifica esta ideia no seu texto “Some ‘Politically Incorrect’ Pathways Through PC”:Mas ao longo da década de 80, o termo passaria a ser distorcido e a referir-se mais á denominação moderna que o mundo conhece actualmente. Destinava se ao o que seria considerado correcto para ser leccionado nas universidades e escolas superiores, criando novos métodos de ensino e mudanças de currículos, especificamente nos Estados Unidos da América. Daí começaram a surgir normas de conduta e códigos, para substituir discursos ou atitudes que poderiam ser consideradas contra a liberdade, os direitos civis e racistas. Certos temas e tópicos começam a ser proibidos, criando uma nova forma de censura e de preconceito. Ironicamente, um sistema de regras criado com o propósito de combater o racismo, a descriminação e de promover a liberdade e a paz, impediu as populações de discutirem abertamente os problemas da sociedade, afectando negativamente a liberdade de expressão. Ou seja substituiu a censura antiga, e instituiu uma nova.Actualmente, esta cultura é convencional, e maioritariamente considerada a culpada pela censura, através da criação de campanhas focadas em tornar a cultura convencional cautelosa, polida e frequentemente assustada com a possibilidade de ofender determinados grupos e de criar polémica. O desenvolvimento das redes de comunicação social é um factor relevantíssimo nestas ocorrências. Redes sociais como o “Facebook” e o “Twitter” tornaram possível a divulgação de ideias, fotos, vídeos, artigos e noticias, digitalmente por qualquer indivíduo a uma quantidade e rapidez alarmante. Estas possibilidades moldaram a maneira como no século XXI absorvemos e reagimos perante os temas e as notícias que nos surgem. Exemplificando, utilizadores de redes sociais possivelmente serão mais predispostos a acreditar em qualquer facto divulgado na Internet. O jornal “The Guardian”, noticiou a 14 de Novembro de 2017, centenas de contas de twitter falsas criadas por utilizadores na Rússia, a criar notícias e outros conteúdos falsos. O artigo noticia especificamente o propósito de influenciar as opiniões relativamente á saída do Reino Unido da União Europeia, e certos artigos anti-muçulmanos:Tornou-se uma grande problemática no que diz respeito á política, governação, a forma como pensamos, lidamos com determinados temas, assuntos, no questionamento do que é correcto, incorrecto, certo ou errado, divulgação de factos, informação, e á medida que aumenta, conflitos sociais e globais tendem a seguir o mesmo caminho.Este tema sempre me provocou interesse misturado com inquietação e revolta. Interesse no sentido de tentar compreender o que terá causado, perceber as razões e investigar as suas origens. Inquietação e revolta, porque pessoalmente considero este sistema de regras extremamente ditatorial, condescendente com um efeito regressivo no conhecimento e na verdade.

x

Hi!
I'm Harold!

Would you like to get a custom essay? How about receiving a customized one?

Check it out